Já são quase cem dias de governo e Mário Galinho patina em uma administração desnorteada que, até agora, não disse a que veio. Muitos dos seus eleitores estão incrédulos com o que veem (ou o que não veem), mas para quem sempre se alimentou do populismo para chamar a atenção, não me surpreende agora uma administração fora de prumo.
Mário Galinho sempre se mostrou como paladino virtuoso das causas populares em oposição às elites políticas de Paulo Afonso, a mesma tática demagógica de políticos populistas usada para chamar a atenção do povo.
Dada a situação catastrófica que os governos de Luiz de Deus e Marcondes Francisco impingiram à cidade, Galinho aproveitou-se da situação e usou as redes sociais para falar de maneira messiânica, como se fosse a solução para todos os problemas de Paulo Afonso em uma clara clonagem do modus operandi do ex-coach Pablo Marçal, com o qual Galinho se identifica politicamente na esteira do bolsonarismo.
O fato é que, eleito com uma votação expressiva, Mário Galinho seria a tábua de salvação dos males políticos e sociais do município, mas o que se vê é um prefeito inexperiente brincando de chamar a atenção nas redes sociais. Essa entropia que se estabeleceu nesse início de governo de Mário Galinho, já nos dá a exata medida para afirmar que o ex-prefeito Raimundo Caires pode dizer em alto e bom tom para Galinho: “eu sou você amanhã”.
Com menos de três meses, o governo de Mário Galinho já sofre a sua primeira baixa. Josemir Chaves, Secretário de Administração, uma das pastas mais importantes no organograma municipal, foi exonerado na última segunda-feira (24). Esta exoneração em tão curto espaço de tempo deixa claro o desenquadramento conceitual da governança, da regulação, do controle e da capacidade administrativa do governo.
O eleitor de Paulo Afonso elegeu Mário Galinho mais para punir a administração passada do que por realizações estruturais de governo que ele, teoricamente, faria. Basta observar que seu mandato legislativo foi marcado por um forte apelo popular nas redes sociais sem, necessariamente, mostrar soluções administrativas.
Pior do que está não pode ficar. Era o sentimento niilista que se ouvia nos quatro cantos da cidade durante as eleições, e essa sanha vingativa do eleitorado, repetindo o que aconteceu em 2004, abriu brecha para um novo fantoche se eleger.
Como disse a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, “triste história que não se repete exatamente. Mas sempre deixa um lembrete. Populistas têm um pacto com o autoritarismo pois se bastam sozinhos. Não fazem contratos sociais, dialogam ou dividem protagonismo. Ainda mais os populistas virtuais”.
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